28
nov, 2019

Debate sobre laicidade do povo negro é tema de encontro realizado pela Facape

O coletivo Maria Amélia de Queirós organizou um bate papo com o tema: “Vozes negras no caminho pela laicidade”. O evento ocorreu na terça feira (26), no auditório da biblioteca da Facape e contou com a presença de alunos, professores e convidados especiais. A conversa teve como tema as reflexões levantadas no doutorado do teórico negro, Phablo Freire Paiva, professor do curso de Direito aqui da Facape.

Além do Professor Phablo, participaram da mesa como convidados especiais, a professora do curso de serviço social, Karina Leonardo e a Yakekerê Iuana Louise, representante do terreiro Ilê Ásè Ominkayodé. Phablo realiza seu doutorado na área de direito e traz reflexões sobre o fenômeno social da laicidade e a experiência de candomblecistas, abordando discussões sobre simbolismo, descolonialidade e efetividade jurídica. O termo laicidade parte do princípio de que assuntos religiosos devem pertencer à esfera privada do indivíduo, sendo algo pessoal e restrito, referente a escolha e desejo de cada um. No Brasil, país considerado Estado laico, ainda há muito o que se debater sobre os povos, religião e liberdade.

Segundo o doutorando, a importância de trazer esse tipo de debate sobre laicidade para a academia, é fundamental para refletir sobre os direitos dos povos de terreiro e outros povos que sofrem várias exclusões em razão da inefetividade dessa laicidade.

“ Além de promover a discussão no espaço acadêmico, essa atividade também inclui as pessoas envolvidas como protagonistas no debate e não somente como destinatários ou objetos do assunto. Então promover uma roda de conversa onde temos lideranças do terreiro que são os povos mais violentados pela ineficácia da laicidade é importante para produzir um debate que não é travado sempre e traz para essa discussão os protagonistas do tema”.

Para o aluno Daniel Castro, é importante incentivar mais encontros como esse, pois é necessário fazer uma reflexão profunda sobre como solucionar problemas como esse, através do diálogo e do conhecimento.

“É importante debater o tema, mas também precisamos solucionar esses problemas, e o debate traz como passo primordial o diálogo. Então espero que várias pessoas tenham acesso a essas discussões, não somente na academia, mas em vários outros espaços. Isso é o que vai proporcionar as mudanças no entendimento da sociedade”.

A representante dos povos de terreiro, Iuana Louise, Yakekerê do Ilê Ásè Ominkayodé, avaliou o encontro como sendo de suma importância para promover as mudanças que estão ocorrendo, e outras que precisam acontecer na sociedade.

“Esse é o lugar de fala e de pertencimento do nosso povo também. Por muito tempo, as faculdades, as universidades, as instituições de ensino ficaram distantes do povo preto, do povo quilombola e do povo indígena, mas hoje vivemos um processo contrário de pertencer e ocupar esses lugares. Então quando a faculdade nos chama, nos convida, para que sejamos o centro da discussão e termos o lugar de fala é de suma importância e mostra que estamos presentes, quem somos, que cor nós temos e como falamos, nos colocando no centro real das discussões”.

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